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Sir Blue

A vida pelo meus olhos.

#23

   aliterações
        love-as ou
leave-as

Matar um dia por vez

sou eu, justiceiro
de toda essa gente amarrada
com uma corrente, salvo dinheiro
não sou diferente
goste ou desgoste, amarro
num poste
uma corrente
e uma bicicleta.

#22

contando os
amanhãs para
             a hora

Dos medos desnecessários

Faz alguns dias, na verdade faz mais de um mês, que eu acordo com uma ideia: virar poeta. O que, obviamente, é uma ideia estúpida. Nunca estudei letras, o número de amigos poetas é igual a: zero. E, poeticamente, sou analfabeto.

Imagina se alguém cita um trecho de Shakespeare e eu nao sei? E se for Vinícius entao? Sempre digo que Vinícius é meu poeta favorito, mas baseado apenas em suposições criadas pela minha própria mente que diz que ele é meu poeta favorito. Seria como falar bem de um filme apenas porque alguém disse.

Acabo de lembrar que pode ser pior: um dia eu ri de uma piada de anão sobre algo relacionado à uma pentiadeira de puta, mas literalmete eu nao sei o que é uma pentiadeira de puta! E o significado da palavra sertão? Descobri semana passada. Sem falar em procastinação, que passei vinte e sete anos da minha vida achando ser outra coisa.

Como eu posso ser poeta desse jeito! Sem ter certeza se é análise ou análize. Sem saber se orgulho é um sentimento bom ou ruim. Da nova gramática. Das novas tendências. Eu nunca escrevi uma rima na minha vida! Sempre foi um fingimento este meu sentimento escrito! Meus escritos são fáceis de reconhecer, de padronizar: poeta moderno conservador de direita centro esquerda liberal. Carimbos em meus escritos. Bom ruim três estrelas e meia. Não quero críticos, não quero elogios. Quero meus fingimentos escritos, meus pensamentos lidos.

O poeta cria esta imagem de que traz alegria e paz para quem lê, pensa que a poesia é algo necessário, como um chamado, e entra numa metafísica poética que ninguém quer saber, a não ser outros poetas. Viram uns chatos falando alto para uma platéia de chatos. Ao olhar para o céu, vê palavras, para o mar, palavras, para a Lua, palavras e para as palavras, fecha os olhos.

So de reler isto ja me senti sessenta vezes mais chato. E ser mais chato é uma conquista do poeta, dissertar sobre dissertar, ler sobre a leitura e trazer uma ideia velha com roupa nova.

Fico com mais medo de ter medo de escrever versos. Meu poema termina no ponto de interrogação? Responde com uma outra pergunta a pergunta?

ps: texto escrito em Janeiro do ano passado.

#21

    poema na areia
decore antes
      que a onda venha